Misoprostol

Composto por uma substância sintetizada, o Misoprostol foi criado na década de 1980, com a finalidade de tratar de dores no estômago, como úlceras e gastrites. Como a medicação causa fortes contrações do útero ela produz o aborto.

Misoprostol: o que é?

o que é o misoprostol
Misoprostol

Passando então a ser usado com essa finalidade. Mas não é apenas para o aborto que é usado, a medicação é (ou deveria) ser utilizada apenas em hospitais, para facilitar partos normais em úteros com condições desfavoraveis. Além de ser usado para retirar do útero o feto em caso de morte do feto e sangramento uterino no pós-parto.

No Brasil, o aborto não é ao todo proibido. Ainda pode ser realizado quando a gravidez oferece risco a saúde da mãe, quando ocorre em função de um estupro, ou quando o feto não tem ou possui má formação no cérebro (anencefalia).

Segundo a portaria n°344/98 da Anvisa, apenas hospitais e maternidades cadastradas podem realizar a compra do medicamento. A comercialização é completamente proibida em farmácias do país.

Quais os riscos em usar misoprostol?

Os maiores riscos do uso do Misoprostol são náuseas, diarreia, dores abdominais, arritmia cardíaca, tremores, hiperestimulação uterina, hipertermia, sonolência. Entretanto pode ter efeitos mais graves, dependendo do estagio da gravidez, como hemorragia vaginal, ruptura uterina e parada cardíaca.

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Além disso, nos casos em que o aborto não é totalmente concluído com o misoprostol, ele pode gerar hidrocefalia, defeito no sistema límbico, paralisa cerebral congênita, exposição da bexiga, e constrição dos pés e mãos.

O medicamento oferece riscos também caso a grávida seja alérgica ao medicamento, possui cicatriz uterina, já tenha realizado uma cesária, já tenha tido AVC, possua doenças cardiovasculares e intestinais, possua asma, utilize ocitocina e tenha asma.

Países onde o Misoprostol é mais usado

Em 67 países, o aborto é legal. Em países como Espanha, Portugal e Uruguai, a política de saúde reduziu o número de mortes em abortos ilegais. Mesmo legalizado, para realização do aborto é necessário que a gravida passe por um processos com a finalidade de garantir a saúde mental e física.

Inicialmente a mulher passa por uma consulta e realiza todos os exames necessários, depois disso para por atendimento psicológico para entender a necessidade do aborto.

Caso decida continuar com o procedimento, a mulher é encaminhada a uma clínica. Após a realização do aborto, é realizado novamente todos os exames para saber se o aborto teve sucesso.

Em seguida a mulher é encaminhada para um centro de orientação, onde recebe dicas sobre métodos contraceptivos, podendo escolher o método que vai adquirir. 

“A cada dois dias, uma mulher morre vítima de aborto inseguro no Brasil. Todos os anos, ocorrem 1 milhão de abortos clandestinos. São 250 mil internações no SUS (Sistema Único de Saúde) e R$ 142 milhões gastos por causa de complicações pós-aborto. Uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já abortaram no país, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, desenvolvida pela Anis – Instituto de Bioética.”

Mesmo a utilização em induções ao parto, têm sido revogadas no mundo. Na Alemanha, por exemplo, o remédio misoprostol foi criticada pela fabricante PFIZER, relatando rupturas uterinas graves em gestantes podendo prejudicar a saúde do feto.

Nos Estados Unidos, a Administração de Drogas e Alimentos (FDA), e na França, a Agência Nacional de Medicamentos e de Produtos de Saúde (ANSM), criticaram a medicação após relatos de mortes associadas à administração do Misoprostol.

Escrito por

Peter Varela

Médico, cientista e escritor. Formado pela Universidade de São Paulo - SP. Conhecido por popularizar a informação médica no Brasil, através de aparições em programas de rádio, TV e pela Internet, com seu site e canal no Youtube.